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Set 09

Enviado por

Mauro Fernandes do Nascimento

mauromaricultura@hotmail.com



Tools, boa noite!

É sempre bom quando a pessoa percebe o seu verdadeiro papel e o seu lugar.

Veja abaixo,
algumas de minhas experiências
que me ajudam a pensar, até hoje:

1. Em uma plataforma de petróleo estava eu, desenvolvendo trabalhos de inspeções, etc.. e percebi que haviam poucas pessoas a bordo e cada um com sua atividade e responsabilidade especifica. Eu observava o trabalho do "arrasta-balde" como eram chamados o cara que limpava o piso da plataforma. Eu via os torristas andarem com suas botas sujas de óleo andando para cima e para baixo e o arrasta balde indo atras limpando. A Plataforma era limpíssima. Quando o "arrasta balde" desenvolvia uma atividade extra, como um corte em uma chapa de aço ou uma solda, etc.. recebia o reconhecimento da seguinte forma: No contra-cheque, ou seja, não ouvia elogio, não tinha medalha, nem tapinhas nas costas, era reconhecido com dinheiro na conta. O chefe da plataforma o Tool Pusher, sempre com idade girando os seus sessenta anos e com um excelente padrão de vida, começara como "arrasta-balde". O respeito entre eles era muito grande e ninguém reclamava do que fazia. Devido a minha profissão eu sempre fui muito respeitado por eles, ao ponto de vir ao Brasil o proprietário de uma multinacional americana do petróleo saber quem era aquela equipe que tantos trabalhos difíceis conseguiam realizar...

2. Em um determinado navio de mergulho, estava eu aguardando a equipe do Cempes/Petrobrás, para efetuarmos um lançamento de um determinado sistema para estudos de corrosão, etc.. Eu não estava na equipe do navio, estava a bordo para ajudar nesse trabalho específico. Observei que tinha um tripulante bebendo cerveja. Ora, na época, qualquer brasileiro que fosse pego na Bacia de Campos consumindo bebida alcólica era desembarcado imediatamente pela Petrobrás e seu nome "queimado", jamais voltaria para o trabalho, era expulso sumariamente. Perguntei ao Comandante desse navio se havia bebida a bordo, ele me olhou, e levou-me para até o almoxarifado e me deu uma caixa de latas de cerveja. Fui para a sala de TV e consumi as minhas latinhas. Ao encontrar novamente com o comandante perguntei-o se, caso algum tripulante tomasse um porre, o que ele faria. Ele me disse: Ajudaremos ele a ir para a cama para descansar melhor.

3. Estava eu trabalhando em um sistema de mergulho inglês e um técnico gringo pediu-me para abrir uma determinada válvula. Ele precisava fazer um teste e ele próprio abriria uma outra distante desta que ele me pediu para abrir. Ele perguntou-me se eu estava seguro do que ia fazer, pois uma manobra errada de minha parte, poderia provocar uma explosão no navio causando sérios danos. Eu disse que sim, ele me olhou, acho que meio desconfiado, e partiu para abrir a outra válvula e eu parti para abrir a que me foi determinada. Quando cheguei no painel notei que alguma válvulas eram muito parecidas e fiquei observando por algum tempo e cheguei a conclusão sobre a válvula certa e fiz a manobra. Depois disso, esperei que ele viesse ver o meu trabalho, mas ele não veio. Esperei-o, por alguns dias ,ele perguntar sobre a manobra que fizemos, mas ele não perguntou. Intrigado perguntei-o: Porque não foi ver se eu abri a válvula certa? Ele falou: Ora, você me disse que sabia e se estás aqui é porquê é um profissional, nós aqui trabalhamos com a verdade, mas se mentires nunca mais serais merecedor da nossa confiança.

Abraços,

Mauro




Date: Thu, 3 Sep 2009 13:43:05 -0300
publicado por quadro-negro às 12:17

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